domingo, 8 de julho de 2012

MIL E UM CÉUS

NOS TEUS OLHOS FUNDOS REPOUSAM À SOMBRA AMOR E TERNURA: REGALOS E LUMINARES A NOS ACENDER EM PISCADELAS INCESSANTES. ARREGALADA EM SORRISOS RASGOS, TUA BOCA SOPRA INFÂNCIA: POÇO CÁLIDO A NOS ESPELHAR INOCÊNCIA. AROMA, COLO, PERNAS, PELE, AGORA TE REFLETEM SEDUTORA. EM TI, ME DESLEIXO D’ALMA E DEIXO QUE MEU CORPO FLUTUE E A PERSIGA INÚTIL E PRAZEROSAMENTE !

quinta-feira, 26 de abril de 2012

TEMPO E PODER

O exercício do poder é regido por um tempo próprio: norteado, sobretudo, por interesses econômicos e eventualmente sócio institucionais. Na Argentina não foram necessários mais que 15 dias para que Executivo e Legislativo – numa sintonia fina – expropriassem a exploração petrolífera da espanhola YPF/Repsol. Na ausência de um plano energético a longo prazo, o governo argentino não só possibilitou a predominância acionária da Repsol como também se descuidou do descumprimento do cronograma de investimentos com ela previamente acordado. Ao invés de punir a exploradora confiscando, ao longo do descuido, tão somente as áreas não exploradas, a presidência argentina aproveitou o descompromisso parcial para convenientemente reabsorver todo um segmento, crucial e lucrativo, sob a alegativa de soberania. Em uma quinzena a quebra unilateral do contrato bilionário portenho-espanhol se converteu numa imposição inquestionável aos deflagradores da ruptura. Ouso agora estabelecer uma comparação e assim voltar ao cerne de minha abordagem: o tempo necessário para que mudanças legais se convertam em decisões formalizadas. Nesta quinta-feira (26/4/12), o Supremo Tribunal Federal, após 9 anos de impasse, se pronuncia sobre a pertinência, ou não, da adoção do sistema de quotas raciais nas instituições de ensino superior. Os argumentos, favoráveis e contrários, contaminados pela mais autêntica hipocrisia, reportam-se sobre constitucionalidade, direitos iguais, raças indefinidas, perdas históricas e resquícios da escravatura. Simular o resgate de toda uma dívida sócio educacional, aos 35 minutos do segundo tempo, premiando com cotas pretos, pobres e mestiços que vivenciaram na escola pública a ineficiência, a omissão e a inoperância públicas, me soa como o suprassumo da hipocrisia governamental. Lançar estes profissionais que guardam uma flagrante defasagem em relação a seus pares, oriundos da escola privada, me parece relegá-los à rejeição, ao aviltamento salarial ou desemprego. Melhor não seria contemplá-los com cursos revisionais, custeados pelo estado, que os colocassem em condições de conquistar, por méritos próprios, suas vagas na universidade? E o que dizer de estabelecer cotas, ai sim, na origem da formação estudantil pública. Por que não oferecer aos alunos talentosos e empenhados na superação de seus limites, desde seus primeiros anos, a chance de ingressar em turmas de reforço ou aprimoramento? Não é assim que os mais caros e cobiçados colégios procedem? Não são eles os primeiros a fomentar, por meio de competições intelectuais internas e externas, a autoestima do corpo discente e docente? Relembro o pretexto deste artigo, concluindo que o tempo de expropriar é relâmpago, já o de formar pessoas é neblina: rala, desigual e insuficiente.

sexta-feira, 9 de março de 2012

INVICTUS


QUEM ASSISTIU A ASCENSÃO DE MANDELA NO CINEMA LEMBRARÁ. QUEM NÃO A VIU DEVE SE DEBRUÇAR SOBRE ESTA OBRA-PRIMA. ESTE POEMA MANTEVE NELSON MANDELA SENHOR DE SEUS PROPÓSITOS AO LONGO DE 26 ANOS DE ENCARCERAMENTO.


Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

William Ernest Henley (AUTOR)

sábado, 18 de fevereiro de 2012

ALERTA



Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia


Mário Quintana (de quem sou discípulo)
Foto: César Moreira (espigão da Praia do Ideal)

NUS COMPROMETER





A vida é uma dádiva...
Não a sobrecarga da dívida
O desprazer do vencimento
Que nos acossa antes de vir a vencer

Que vença!

Vencidos somos nós
Quando nos realizamos fim...
E não nos enxergamos meio:
Instrumentos de um destino
Que até nos permite a intervenção...
Jamais o domínio do espetáculo!

Sejamos, portanto, figurantes cordatos,
Na expectativa de uma fala mais longa...
Que nos projete ao estrelato !

Até lá irrequietos,
Mas não propriamente infelizes
Até lá... amantes de nós mesmos,
Para que contagiemos os demais
Até lá... sem compromisso...
Saboreando o roteiro...
A nos comprometer!



De: César Moreira (escrito em 14/05/97)

SONHO MEU


Sonho Blue
(letra que criei em 11/12/98 para a música Parati – do compositor e violonista Nonato Luiz

Sol
Traz a luz
E a manhã te traduz em tons !
Sol, arde o sol...
E revela o que eu pensei / só ser / delírios / de um ator


Estavas no meu sonho...
Deitavas sobre mim
Meus olhos sempre em ti
Te franqueavam: “sim !”


Teus seios me atiçam...
Afago / um / a /um
Tuas pernas teimam em me abraçar
Teu cheiro está no ar
O lírio do teu penhoar
Insiste em nos flagrar !


Mar
Traz o sal
E a manhã te atribui sabor
Mar... brilha o mar
E relembra o que eu pensei /só ser/ loucuras / da paixão

Estavas numa praia
Teu corpo em pelo... A fim
Minha boca sempre em ti
Ouvia: “quero assim !”


Te integras à paisagem
Combinas com o azul
Superas o meu sonho blue
Meu céu ao teu dispor

(repete/refrão)

Superas o meu sonho blue
Meu céu ao teu dispor

PRATA N'ALMAS


HÁ 26 ANOS FIGURÁVAMOS ASSIM: APAIXONADOS UM PELO OUTRO...DESTEMIDOS PARA O QUE VIDA TIVESSE A NOS PROPOR. ULTRAPASSADAS INCONTÁVEIS EMOÇÕES, PERCALÇOS, ALEGRIAS E LIÇÕES COMUNS ALCANÇAMOS NESTE 21 DE FEVEREIRO A "PRATA". BODAS QUE ROGO SEJAM RENOVADAS E PELAS QUAIS SOU PLENA GRATIDÃO: DUAS DÉCADAS E MEIA DE UM AMOR INTENSO, REAVIVADO,ALINHAVADO A OITO MÃOS.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

TELÚRICA



A fotografia nos revela surpresas, mesmo no contexto da instantaneidade digital. Rude, tímido ou avesso ao registro de sua imagem, mas nem por isto menos representativo de seu labor, de sua essência estritamente campesina e produtiva.


Agricultor pedrabranquense

AUTOFALANTE

AUTOFALANTE
O DONO DA VOZ