sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

INADIÁVEL CELEBRAR




A morte súbita de nossa amiga Mila – em meio a uma visita ao Centro da cidade, aos 40 e poucos anos - nos relembra o quanto a vida é efêmera, o quanto devemos estar preparados para a inexorável visita. Mas como fazê-lo por completo? Nossas malas nunca estão totalmente prontas e sempre há um último item a adicionar a conta desta hospedaria. Quintana reiterou sua sabedoria quando lapidou esta metáfora.
Afinal, nenhum beijo e recomendação derradeiros traduziriam todo nosso amor pelos que nos são mais próximos: filhos, pais, esposa, irmãos... E quanto aos pedidos de desculpas e perdão, estaríamos em dia com nossos credores ? Dificilmente. Até porque somos pródigos em fazer juízo de valor e incorrer nas sucessivas armadilhas de avaliações precipitadas.
O que fazer então ? Suponho que: Adiar ao mínimo ! Julgar jamais ! Corrigir agora ! Celebrar nossos amores e o amor à vida como se por eles fôssemos arrebatados de um encantamento primordial...Infantil.
Quem sabe assim esqueceríamos apenas a escova de dentes e o derradeiro copa d’água mineral por pagar.

AUTOFALANTE

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O DONO DA VOZ