quarta-feira, 16 de junho de 2010

50 ANOS DE ALIANÇA



Mamãe, nosso convívio estreito e frutífero só reforça a admiração que guardamos pela senhora e por nosso pai. Aprendemos a cada dia com seu exemplo de superação e resignação. Sua trajetória como filha, mãe, irmã e esposa é uma demonstração incontestável de que verdadeiramente se deixa reger pelos mais sábios ensinamentos cristãos. Sabedoria e manifestação de fé ardorosa que nos transmite há décadas e pela qual lhe somos gratos, assim como nossos descendentes.

Mamãe, seu sorriso contagiante e amoroso nos fortalece. É nele que nos espelhamos para enfrentarmos os desafios que o dia-a-dia nos impõe. Nunca deixe de exibi-lo como um estandarte de sua alma nobre e cativante. Afinal, ele é a síntese da felicidade que tanto perseguimos para nós e àqueles que nos sucederem.

Diante da data que hoje comemoramos de forma singela – mas, nem por isto menos emocionada - relembramos agora o amor que trouxe a senhora e nosso pai, a este altar, a esta renovação histórica. Sob as bênçãos de Cristo e Nossa Senhora do Carmo, reavivamos a lembrança, que de suas mãos habilidosas fluiu a beleza do vestido, talhado e bordado com esmero ao longo de mais de um semestre, há 50 anos. Àquela época, em meio aos preparativos pré-nupciais, já revelava, exultante, por meio de sua voz terna, olhar zeloso e dedicado, o amor incondicional que nutre vigilantemente por nosso pai, Antônio Monteiro de Mesquita.

Nossa mãe, Jonice, e nosso pai Monteiro guardam traços comuns que enaltecemos nesta ocasião solene. Eles explicam o porquê da união duradoura que agora, justificadamente, celebramos. Ambos são humildades, acolhedores, pacientes, bondosos e generosos. O respeito mútuo e a cumplicidade que deixam transparecer são as virtudes conjugais, indispensáveis, que os dois nos legaram. Elas são a razão maior de uma convivência renovada, afetuosa. Eivada também de adversidades e renúncias, é bem verdade, mas nem por isto distanciada do amor e preceitos católicos que os trouxeram a esta Igreja, à aliança que se distingue e rebrilha neste instante, após cinco décadas de uma bela história, íntima, compromissada. Fato cada vez mais inusitado em meio a gerações que se desvencilham facilmente de seus sentimentos.

Agradecemos efusivamente a Deus pelos pais que nos concedeu, pelas orientações recebidas e pela oportunidade de hoje exaltarmos suas Bodas de Ouro. Pedimos, oh! Pai, sua intercessão divina para que ambos desfrutem de saúde, abundância, conforto, harmonia, longevidade, estima e reconhecimento dos que privam de sua convivência.

Obrigado Senhor, Obrigado Meu Deus!

segunda-feira, 1 de março de 2010

AO ENCONTRO DO PAI


A morte de Padre Enéas Alves de Mesquita, por volta do meio dia deste último sábado (13/2/2010), em Fortaleza, aos 83 anos nos conduz ao reconhecimento do quão grandiosa e reservada foi sua contribuição pessoal e religiosa às comunidades por ele abençoadas. Padre Mesquita, como era conhecido entre seus pares jesuítas, exerceu em sua plenitude o duplo papel de educador e sacerdote. Ao longo de seus 50 anos de sacerdócio se pautou pelo desprendimento, fé, desapego, discrição e dedicação, apregoados por Santo Inácio de Loyola, fundador da companhia a que Pe. Enéas pertencia.
Na lembrança dos alunos do Colégio Santo Inácio – onde encabeçou por décadas a coordenação das atividades pedagógicas no Primário, em Fortaleza e em Recife – será reverenciado como o interventor carinhoso que impedia o acirramento de conflitos, sobretudo, no horário o recreio. Valia-se de uma estratégia infalível na qual mesclava aparente severidade, palavras de ordem, balas... muitos bombons e afagos. Com o passar dos anos e a conversão do Santo Inácio em escola mista seu tom paternal foi assumindo as feições condescendentes de avô.
Padre Enéas Mesquita – aluno da Escola Apostólica de Baturité – desde os primeiros anos de aula revelou sua inclinação à vocação sacerdotal. Era o segundo filho (de uma prole de dez) do casal João Alves de Mesquita e Maria Alves de Mesquita – avós do prefeito Antônio Góis. Realizou seus estudos em Filosofia e Teologia em São Leopoldo (Rio Grande do Sul) e São Miguel (Argentina). Acalentava um carinho todo especial por dois locais distintos, paisagens completamente diversas mais que o supriam de horas amenas de lazer, introspecção e convívio familiar. São elas, as que emolduram a cidade serrana de Pedra Branca – sua terra natal – e o distrito de Iguape (Aquiraz), onde angariou inúmeros fiéis entre os freqüentadores da capela litorânea.
Em nosso adeus a Pe. Enéas Alves de Mesquita rogamos para que ele seja recebido na glória do Pai eterno a quem sempre serviu, perpetuando os sábios e amorosos ensinamentos que nos foram legados por Jesus Cristo.

CÉSAR MOREIRA

AUTOFALANTE

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O DONO DA VOZ