quinta-feira, 9 de junho de 2011

INCONDICIONAL



Quem já vive as delícias e apreensões da maternidade sabe muito bem que:
Seu tesouro inigualável, filho ou filha, ainda se mantém ligado a você.
Não mais pelo cordão que lhe supriu com o primeiro alimento,
Mas, pelo o amor incessante que fazes jorrar na direção dele, e dele em resposta a você...
Um rio caudaloso! Um fluxo interminável!
Repleto de nobres desejos, do carinho reconfortante,
Da palavra conciliadora, do seio acalentador...
Do aconchego uterino.

Àquelas que ainda não experimentaram tamanho amor,
O tempo haverá de saber compensá-las pela espera.
Seja ela ansiosa, ou não, prepare-se, desde já, para navegar nesta torrente de doação maternal!

PARADOXO SECULAR



A humanidade – à exceção de raras comunidades espiritualmente avançadas – ainda incorre em histórico contrassenso: persegue a longevidade, mas relega seus idosos, impõem-lhes o ostracismo, o desamparo.
Quanta contradição ! Empreendemos os mais diversos esforços técnico-científicos para vislumbrar um futuro longínquo, usufruir de comodidades desde já anunciadas e, no entanto, somos incapazes de inserir, valorizar e reproduzir a sabedoria dos que prolongam sua existência terrena.
O convívio familiar, profissional ou meramente social, o transcurso do tempo e a leitura de suas páginas nos proporcionam uma aprendizagem cotidiana incontestável. Contundo, somos implacáveis ao desmerecer lições empíricas maturadas ao longo de décadas.
Falo de um autoconhecimento essencial à consolidação de princípios e valores éticos, morais hoje tão distanciados das novas gerações, enredadas numa estratégia de consumo supressora e degradante.
Refiro-me ao olhar generoso que os idosos aprendem a lançar sobre si mesmo e sobre o próximo, assim traduzido, no crepúsculo de nossas trajetórias, pelo poeta Mário Quintana:
Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.

AUTOFALANTE

AUTOFALANTE
O DONO DA VOZ