quinta-feira, 9 de junho de 2011

PARADOXO SECULAR



A humanidade – à exceção de raras comunidades espiritualmente avançadas – ainda incorre em histórico contrassenso: persegue a longevidade, mas relega seus idosos, impõem-lhes o ostracismo, o desamparo.
Quanta contradição ! Empreendemos os mais diversos esforços técnico-científicos para vislumbrar um futuro longínquo, usufruir de comodidades desde já anunciadas e, no entanto, somos incapazes de inserir, valorizar e reproduzir a sabedoria dos que prolongam sua existência terrena.
O convívio familiar, profissional ou meramente social, o transcurso do tempo e a leitura de suas páginas nos proporcionam uma aprendizagem cotidiana incontestável. Contundo, somos implacáveis ao desmerecer lições empíricas maturadas ao longo de décadas.
Falo de um autoconhecimento essencial à consolidação de princípios e valores éticos, morais hoje tão distanciados das novas gerações, enredadas numa estratégia de consumo supressora e degradante.
Refiro-me ao olhar generoso que os idosos aprendem a lançar sobre si mesmo e sobre o próximo, assim traduzido, no crepúsculo de nossas trajetórias, pelo poeta Mário Quintana:
Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.

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AUTOFALANTE

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