segunda-feira, 31 de março de 2014

DEIXANDO À CONTRAMÃO


Não foram poucos os minutos que ouvi, na penúltima semana de março, buscando explicações consequentes para a violência crescente no país. Algumas indagações e supostas respostas me atiçaram. Por que os governos Lula e Dilma intensificaram, nos últimos 14 anos, a execução de programas sociais e de “distribuição de renda” e mesmo assim a criminalidade evoluiu a níveis inaceitáveis? Duas das resposta oferecidas que, a meu ver, além de incompletas transpõe o debate novamente para a esfera meramente partidária. Primeira explicação: O Brasil antes da chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder viveu décadas perdidas que hoje cobram seu preço, em que pese os esforços contrários nos últimos 14 anos. Segunda resposta, ou motivo: Inchaço progressivo das regiões metropolitanas e cidades de médio porte.
Começarei pela derradeira para oferecer meu ponto de vista sobre o todo. O processo de esvaziamento sócio, econômico e cultural do campo e consequente favelização de áreas urbanas, nas capitais e mesmo no interior, jamais foi atacado com a devida seriedade e continuidade que a causa exige. Isto aplica-se aos governos petistas e aos que o antecederam. Os atrativos e comodidades da vida contemporânea são esfregados nas ventas da juventude dos lugares mais remotos. Isto, sem que proporcionássemos aos jovens e seus pais, condições, trabalho e convencimento de que poderiam usufruir daquelas regalias urbanas em seu município ou distrito de origem. Fator essencial para que façamos vingar este “continente” como potência agropastoril, tecnológica e prestadora de serviços de ponta. Dado crucial para que não tivéssemos que assistir o inchaço desmedido das periferias, sua frustração diante das vitrines e tão propalada “ascensão à classe média” que sequer lhe confere uma refeição decente, ao dia, para toda a família. Nas regiões metropolitanas os problemas não só se aglutinam como se agudizam. Esforços pertinentes e elogiáveis como a eletrificação rural e disseminação de escolas profissionalizantes, em cidades interioranas, têm que ser encarados como prioritários e se somar a outros que, verdadeiramente, valorizem as vocações produtivas de cada região e as dotem de atrativo logístico, fiscal e tributário. Temos que fazer o caminho promissor de volta! Somente a desconcentração populacional, de formação, e de oportunidades profissionais e produtivas, nos permitirão sair da rota que nos expõe à morte violenta, ao vexame e descrédito internacional. Esmolas apenas a quem não pode prescindir dela. Cadeia para quem dela não pode se afastar. Produção em escala nacional para que correspondamos a riqueza natural e abundância territorial com que fomos abençoados. (Publicado no Face em 28.3.14)

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