segunda-feira, 31 de março de 2014
PRA QUEM ACORDOU COM SAUDADES
O país que temos hoje é essencialmente decorrência daquele que nos impingiram ou com qual compactuamos. Alicerçado nas primeiras décadas de uma República reticente, pouco ou nada republicana, e de dois longos períodos de ditadura, sendo o segundo ainda mais impiedoso e corrupto. Devemos lançar os olhos sobre a história sem perder o foco na conjuntura então experimentada: Divulgação de atos governamentais sob censura ou sem registros, Congresso sob constante ameça, cassações ao bel prazer do comando militar, ausência de uma legislação que regesse minimamente a utilização de recursos públicos e coibisse desmandos administrativos, cooptação e omissão de órgãos fiscalizatórios, a exemplo de Ministério Público, Judiciário, corregedorias e inspetorias. Tortura como instrumento de trabalho, não se fazendo distinção entre incautos, idealistas ou sectários. Vivíamos um país essencialmente agropastoril que primava pela importação de industrializados e ainda não amargava, na atual escala, o inchaço pernicioso e predatório das regiões metropolitanas "intoxicadas". Logo, nem de longe se pode comparar os índices de criminalidade de então com os de agora. Portanto, se você hoje lamenta a realidade de um campo repleto de raposas vorazes e eficientes, saiba que nos dois períodos de exceção elas lacravam as portas do "galinheiro", sentavam-se a mesa, determinavam a forma de preparo da refeição, exigiam silêncio, faziam a sesta e a festa, armazenavam e distribuíam as melhores espécies entre os seus, e realimentavam o clima de terror e coerção para alargar seus domínios e permanência. Conclusão: Se você quer reviver este passado, não se faça de rogado e nos deixe, já que não nos ama. As agências de viagem devem oferecer pacotes "imperdíveis" à nossa vizinha e padecida Venezuela. (Publicado no Face em 31.3.2014)
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O DONO DA VOZ

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