O assalto que meu primo, Antônio Góis sofreu, ontem, diante do Othon, felizmente sem consequências mais graves, me relembrou a abordagem armada em que fui vítima, com minha esposa, na virada do ano, a cem metros do Iate. Divido agora não só algumas das minhas impressões sobre insegurança pública, mas divido, sobretudo, o passivo, a cobrança que quase sempre é partilhada de forma indevida.
Colhemos o que ainda plantamos. Afinal, somos nós que pagamos e perpetuamos um sistema penitenciário e punitivo promíscuo, corrompido, lucrativo, imoral e antidisciplinador. Fomos nós que nos acomodamos a um código penal desatualizado e licencioso, a um Estatuto da Criança e Adolescência talhado para elevar os índices de criminalidade. Um estatuto que é flagrantemente respaldado por quem se nega a admitir que tornou-se uma solução fácil e rápida à impunidade desbragada. Somos nós que silenciamos diante de um distribuição de renda injusta e desalentadora, em que migalhas se propõem a encobrir e substituir a falta de oportunidades, orientação familiar e religiosa.
A corrupção, insuficiência de recursos humanos e incompetência que imperam nas forças de segurança, públicas e privadas, são só os últimos metros de um novelo de omissão, peculato e malversação, fiado nas altas esferas dos três poderes e sucursais subjacentes. Relembro Dom Edilmison Cruz: "Quem vota em corrupto está votando na morte !" Seja ela provocada pela ausência de assistência médico-hospitalar ou carência de um sistema punitivo, disciplinador e repressivo à altura de nossas crescentes necessidades. Que não restem dúvidas: Volto a citar o bispo emérito de Limoeiro do Norte apenas para que tenhamos consciência do quão são alastradas as raízes de tamanha insegurança. Uma ameaça constante à vida que exige de nós: alternância no poder, decência, cidadania e um esforço contínuo na correção de todos os rumos, na remoção de todas as pontas necrosadas. (FOI NO FACE EM 14.3.14)

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